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1. História da infância e da adolescência

RESUMO

Este artigo, por sua natureza teórica, trabalha com noções tais como infâncias, crianças, multidão e experiência, no intuito de pensar uma educação cujas práticas educativas possibilitem o exercício da infância. O artigo refaz um caminho no qual a infância e a criança são percebidas “em sua dimensão singular”, de modo a recuperar, no fim do percurso, o caráter plural que as noções de criança e infância encerram. O referencial teórico parte de Deleuze, Guattari, Agamben, entre outros autores, e busca colocar a infância numa temporalidade múltipla, em detrimento da temporalidade fundada em visões da história e da psicologia, que privilegiam etapas e sucessões cronológicas. Ao afirmarmos a infância como atravessada pela experiência, pela inventividade e pelo desarazoamento, propomos pensar uma educação na direção da multidão.

Palavras-chave: Educação Infantil; infâncias; multidão; experiência; diferença.

Resumo

As revistas brasileiras Vida Doméstica e Fon-Fon! publicaram entre 1930 e 1959 diferentes materiais sobre infância: textos, fotografias, caricaturas, desenhos ilustrativos etc. Este artigo analisa algumas imagens fotográficas ali presentes, discutindo seus campos temáticos e alguns procedimentos de análise que contribuíram para a caracterização das crianças no universo social brasileiro pelos periódicos indicados.
As crianças neles representadas eram, na sua maioria, brancas e possuíam vida familiar estruturada (pai, mãe) e condição social privilegiada. As fotos das crianças, em algumas circunstâncias, eram produzidas em estúdios fotográficos e destacavam a beleza e felicidade. Seus trajes e adereços ajudavam a compor a imagem de criança bem nascida e feliz.
O universo da fotografia na infância está articulado a outras preocupações constantes quando se fala de criança: saúde, educação, religiosidade, lazer e moda. As fotos institucionais como, por exemplo, dos parques infantis assumem características diferentes daquelas explicitadas anteriormente. Nesse caso, as crianças eram fotografadas coletivamente como propaganda das atividades desenvolvidas pelas instituições.
Considerando a fotografia como produção social, e evitando, portanto, concebê-la como reflexo do real, o artigo procura articular textos e imagens, bem como refletir sobre diferentes possibilidades do mundo infantil.

Palavras-chave

Infância – Imprensa – Fotografia.

Resumo

Ao destacar o caráter polissémico da palavra criança, o artigo questiona tal polissemia para tempos pretéritos. Afirma que o vocábulo foi muitas vezes substituído por outros, com o intuito de designar com mais propriedade as fases de desenvolvimento infantil e problematiza com isto o estudo clássico de Philippe Ariès acerca do sentimento de infância na Idade Média.
As análises partem de uma releitura da Crónica de D. João I, de Fernão Lopes e rastrea no texto do cronista as palavras usadas para significar criança na acepção que hoje se dá ao termo. O propósito foi o de efetuar sondagem em uma das obras desse grande criador da língua portuguesa no período considerado. A essa fonte acrescentam-se algumas páginas da literatura que focaliza a criança em diferentes situações, cuja análise permitiu reconstruir as diversas representações de crianças, as quais, por sua vez, depõem sobre traços significativos da mentalidade pedagógica, em Portugal, quanto ao modo de conceber a infância.
Conclui pela necessidade de compreender o termo infância em seu plural, pois assinala a variedade de perfis que essa categoria histórica, social e psicológica comporta; e alerta para o facto de que é preciso recordar que os retratos de crianças não provêm diretamente de crianças, mas foram produzidos por aqueles que já não eram meninos.

Palavras-chave

Infância – Criança – Literatura portuguesa.

Resumo

Este artigo apresenta uma análise e reflexão sobre a produção da idéia da infância no Brasil. Religião, ciência, progresso, indústria, comércio e civilização são alguns dos signos que têm participado da configuração e construção desse conceito no contexto brasileiro.
Diante da complexidade da questão e da proliferação dos discursos sobre a infância, examina-se aqui um deles, bastante expressivo no século XIX, que incide na combinatória entre regenerar e civilizar. Esta fórmula, cuja legitimidade foi forjada no interior da ordem médica, determinou que o trabalho viesse a focalizar a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (FMRJ), um dos lugares em que o tema da infância esteve presente regularmente ao longo do século XIX.
Com a perspectiva de analisar as representações que a respeito da infância foram produzidas, trabalhou-se com parte da produção da FMRJ, sobretudo com as teses defendidas pelos alunos ao final do curso para a obtenção do título de doutor. Além disto, fez-se incursões precisas nas atas do I Congresso Brasileiro de Protecção á Infância e no conjunto das teses da I Conferência Nacional de Educação, na tentativa de indicar a permanência da infância na ordem do discurso médico, a ênfase na necessidade de sua higienização e certos deslocamentos das representações.

Palavras-chave

História da educação – Infância – Higiene – Educação escolar.

RESUMO

O artigo analisa as representações sociais sobre o negro presentes na produção literária destinada à criança no Brasil, nas três primeiras décadas do século XX. A definição de tal periodização tem em vista a emergência, a partir da década de 1920, na produção artística e científica nacionais, da discussão em torno da identidade brasileira. Destaca-se a construção de referências estéticas e científicas voltadas para compreensão dos significados da composição racial da população, temática que ecoa nas obras endereçadas ao público infantil.
Se nas obras produzidas até a década de 1920 os personagens negros eram ausentes ou remetidos ao recente passado escravocrata, observa-se um deslocamento: os personagens negros tornam-se freqüentes, descritos de maneira a caracterizar uma suposta integração racial, hierarquicamente definida. Mediante a descrição das características físicas e cognitivas dos personagens negros, de sua relação com os personagens brancos, sua inserção no espaço social, configura-se uma visão da temática racial endereçada ao público infantil. Os negros aparecem como personagens estereotipados, descritos a partir de referências culturais marcadamente etnocêntricas que, se buscam construir uma imagem de integração, o fazem a partir do embranquecimento de tais personagens.
Na verdade, mais que embranquecer os personagens, a literatura infantil do período dirige-se e produz um leitor modelo identificado com os personagens e as referências culturais brancas, marcando, portanto, um embranquecimento do leitor.

Palavras-chave: História – Literatura – Infância – Raça.

  • GUEDES-PINTO, Ana Lúcia; FONTANA, Roseli Aparecida Cação. As mulheres professoras, as meninas leitoras e o menino leitor: a iniciação no universo da escrita no patriarcalismo rural brasileiro. Uma leitura a partir de Infância de Graciliano Ramos. Cad. CEDES,  Campinas,  v. 24,  n. 63, Aug.  2004 .   Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-32622004000200004&lng=en&nrm=iso>. access on  28  Feb.  2010.  doi: 10.1590/S0101-32622004000200004.

RESUMO

Propomo-nos, neste trabalho, a realizar, com base na obra Infância de Graciliano Ramos, uma análise da participação da mulher no processo de iniciação escritural das crianças, nas primeiras décadas do século XX, no nordeste brasileiro. A despeito do lugar ocupado pela mulher no patriarcalismo rural, sua presença mostra-se expressiva na multiplicidade de modelos de escolarização, seja na esfera pública ou na esfera doméstica, herdados do século XIX. Trabalhando nas interfaces entre a história cultural, a antropologia, a sociologia e os estudos da linguagem, pretendemos focalizar tanto os espaços e as práticas em que as crianças eram iniciadas na aprendizagem da leitura e da escrita por suas professoras, familiares e amigas quanto os significados de que se revestiam, para essas mulheres e crianças, as tarefas relativas ao ensino.

Palavras-chave: Leitura. Escrita. Letramento. Práticas escolares e não-escolares.

RESUMO

Este artigo demonstra as conexões entre imaginar nações e imaginar infâncias e defende um exame mais crítico dos papéis e das significações mutáveis das lembranças de infância em narrativas autobiográficas, assim como do crescente uso, no mundo inteiro, de memórias de infância para a construção do eu moderno. O vínculo entre o eu da criança e o eu do adulto é o corpo enquanto repositório de memórias e sistema de ação, e o exame profundo e contínuo das experiências de infância é geralmente considerado como uma parte central e natural da representação da pessoa adulta. Logo, as reminiscências de infância costumam desempenhar um papel importante nas narrativas de vida em termos de quantidade, intensidade e centralidade, embora, ao mesmo tempo, tenham recebido pouca atenção teórica até agora. A meu ver, esses fatos fornecem a chave para a análise cultural do presente estágio da modernidade. Distingo as infâncias textuais das infâncias vividas e discuto o tipo de informação sobre uma infância vivida que as histórias de vida podem fornecem. Em particular, pergunto se as histórias de vida contadas por adultos podem nos ajudar a entender as experiências da infância do “ponto de vista da criança”. A diferença entre o eu que narra e o eu que foi atinge o seu auge quando as pessoas narram suas experiências da infância. É neste sentido que as lembranças da infância podem ser consideradas como “infâncias imaginadas”. A discussão junta insights de muitas disciplinas e implicações para as teorias social e literária.

Palavras-chaves: Infância. Autobiografia. História de vida. Formação do eu. Reflexividade. Modernidade. Verdade.

RESUMO

A infância designa um conceito polissêmico que reenvia a uma multiplicidade de dimensões ou campos. Se esse conceito é reduzido ao termo “criança”, entra-se no campo psicológico; ao termo “infância”, no campo demográfico, o qual se revela ser também de ordem econômica; se se fala de “crianças”, entra-se no campo propriamente antropológico ou socioantropológico. A área que essa última dimensão define constitui o verdadeiro objeto susceptível de ser abordado pelas ciências sociais no que diz respeito a essa faixa da população. As pesquisas referentes a esse assunto exigem métodos apropriados. Se no que diz respeito ao momento intersubjetivo relativo à sociedade, correspondendo este ao nível de análise microssociológica, tais métodos podem exigir do pesquisador que ele “se torne criança” a fim de poder reconstituir pela imaginação o universo das culturas infantis. No que diz respeito ao momento institucional, social, propriamente dito, correspondendo ao nível de análise macrossociológico, trata-se de levar em consideração os fenômenos estruturais, particularmente os que concernem à dominação, que afetam as crianças tanto quanto as outras faixas da população, e que se inscrevem numa perspectiva histórica. Esse processo geral de estruturação se aplica também ao universo infantil, e é ele que constitui a chave heurística de toda pesquisa sobre esse universo.

Palavras-chave: Dominação. Crianças. História. Método. Estruturação.

RESUMO

Este trabalho estuda, desde uma perspectiva filosófica, o conceito de infância em Platão, com ênfase nos seguintes diálogos: Alcibíades I, Górgias, A República e As Leis.
Num primeiro momento, situamos a questão da infância no marco mais ampliado do projeto filosófico e político de Platão. A seguir, propomos quatro traços principais do conceito de infância em Platão: a) como possibilidade (as crianças podem ser qualquer coisa no futuro); b) como inferioridade (as crianças – como as mulheres, estrangeiros e escravos – são inferiores em relação ao homem adulto cidadão); c) como superfluidade (a infância não é necessária à pólis); d) como material da política (a utopia se constrói a partir da educação das crianças).
Não há a pretensão de levar Platão a algum tribunal. Busca-se apenas delimitar um problema e uma forma específica de enfrentá-lo, com vistas a contribuir para a análise da produtividade dessa perspectiva na história da filosofia da infância e da educação ocidental, bem como nas atuais teorias e práticas educacionais. Ao mesmo tempo, de forma implícita, procura-se oferecer elementos para problematizar uma visão já consolidada entre os historiadores da infância – particularmente desde o já clássico História social da infância e da família de Philippe Ariès -, segundo a qual a infância seria uma invenção moderna e ela não teria sido “pensada” pelos antigos enquanto tal.

Palavras-chave: Platão – Infância – Filosofia da infância.

RESUMO

A cruzada higienista empreendida no começo do século XX não poupou os infantes. Ao contrário, fez deles alvo importante de sua investida. E os homens de ciência foram pródigos ao enunciar estratégias para transformá-los de despossuídos em futuros cidadãos laboriosos. Fim do século XX. Outros homens de ciência arregaçam as mangas em nova cruzada: erradicar a labuta das crianças. Este artigo pretende refletir acerca do trabalho infantil à luz das normas higienizadoras do início do século.

Palavras-chave: História da educação e do trabalho. Trabalho infantil. Higiene. Infância.

RESUMO
Este artigo analisa a construção da identidade da criança e do adolescente em momento particularmente importante da história da cidade de São Paulo, qual seja, a da passagem para o século XX. Em poucas palavras, pretende confrontar a situação vivida por crianças e adolescentes das camadas economicamente menos favorecidas – quer na condição de trabalhadores, quer em relação ao abandono e à delinqüência infanto-juvenil – com as imagens construídas por diferentes discursos em torno da infância e da adolescência na sociedade brasileira.
Palavras-chave: Infância; Adolescência; Delinqüência Infanto-Juvenil; Trabalho Infanto-Juvenil.

RESUMO

Que lugar pode ocupar o estudo da deficiência no quadro da sociologia da infância? Tal é a contribuição que gostaríamos de apresentar, analisando, ao mesmo tempo, a história da infância dita “deficiente” e as evoluções recentes, a partir de 1975, em matéria de escolarização. Ao mesmo tempo que damos descrições detalhadas dessas evoluções, procuramos pôr à prova duas hipóteses complementares: 1) A representação da criança portadora de “deficiência” é dominada pela representação da deficiência, mais do que pela representação da criança como criança, com suas particularidades eventuais?1 2) A alteridade “comum” da criança com relação ao adulto é redobrada no caso da criança deficiente e torna ainda mais ambíguas a enunciação e a aplicação, a seu respeito, da ideologia moderna dos direitos da criança.2

Palavras-chave: Criança deficiente. Direitos das crianças. Escolarização.

RESUMO

Este texto descreve a trajetória da Saúde Mental e dos cuidados à infância no Brasil da Colônia à República Velha. No período colonial não havia cuidados especiais à criança. O que temos para compreender a criança colonial são relatos descritos em documentos, tratados e cartas da época, e em descrições de viajantes que aqui aportaram para conhecer o Novo Mundo. Depois do século XVIII a urbanização das cidades requer a intervenção médica nas questões de higiene e saúde, e gradativamente muda a concepção de criança, primeiro na Europa, depois no Brasil, chegando o século XIX com médicos preocupados com a questão da mortalidade infantil e com os cuidados que se deveria ter com  a criança, negligenciada até então. É no século XIX que se inicia a institucionalização dos saberes médicos e psicológicos aplicados à infância e é quando podemos obter mais registros sobre que cuidados eram reservados à criança.

Palavras-chave: saúde mental, infância, história da infância

RESUMO: O texto compreende um estudo sobre as práticas de militarização da infância, isto é, práticas de natureza patriótica, cívico-militar que predominaram no ensino primário, no início do século XX. Nesse sentido, destaca a introdução da disciplina “Ginástica e exercícios militares” nos programas de ensino e seus desdobramentos mediante a criação dos Batalhões Infantis. Analisa, também, o escotismo escolar, movimento efervescente no estado de São Paulo nas décadas de 1910 e 1920, identificando-o como mais uma expressão do militarismo e do nacionalismo na educação brasileira. Para a realização deste estudo foram utilizadas fontes manuscritas encontradas no Arquivo do Estado de São Paulo e periódicos educacionais da época.

Palavras-chave : História do currículo, história do ensino primário, cultura escolar, educação militar, escotismo escolar

RESUMO: O presente artigo examina fotografias de crianças mortas produzidas em São Paulo no século XIX, de modo a pensar acerca da sensibilidade da época em relação à morte, bem como algumas transformações operadas nesse âmbito. A estratégia de análise privilegiará a identificação, nesse material, de elementos constitutivos das práticas e representações relacionadas à criança morta, cujas origens são bem anteriores à prática de registro fotográfico dos “anjos” e, na mesma medida, daqueles elementos que estão associados às mudanças que nesse universo tiveram lugar na segunda metade do século XIX e que, como cremos, acompanharam e fomentaram não só o advento mas também a extinção desse costume.

Palavras-chave: São Paulo. Representação da morte. Representação da criança. Fotografia de “Anjos”. História da Infância. Objetos funerários.

Resumo

O artigo discute aspectos dos múltiplos processos de formação da identidade do brasileiro a partir do estudo da institucionalização das comemorações da criança em Belo Horizonte.
Partindo da constatação de que entre o fim do século XIX e o início do XX diferentes saberes dos campos antropológico, médico, jurídico, pedagógico e psicológico são estabelecidos com o intuito de produzir essa identidade, o trabalho focaliza três eventos realizados na cidade: o dia da criança relativo à data nacional de 12 de outubro, instituída em 1924 e fortemente identificado como uma festa escolar; as festas de Natal para as crianças pobres, nas quais a filantropia mobilizou diferentes setores da sociedade; e os concursos de robustez e beleza infantil, iniciados em Belo Horizonte a partir de 1935, com a intenção de comemorar a infância associada aos ideais eugênicos.
Argumenta-se que tais eventos contribuíram para a legitimação e propagação dos saberes científicos que elegeram a criança como objeto central de estudo e intervenção. Mais do que celebrar a infância, buscou-se comemorar as ciências, com o objetivo de perseguir o ideal de uma nação civilizada e una, embora marcada por profundas clivagens sócio-raciais, e projetar a criança como utopia de um mundo adulto a ser estabelecido.
O trabalho mostra nas conclusões que, hoje, traços de realização desses eventos ainda se mantêm, revelando a permanência de um ideal racial europeizado que marca pela exclusão a vivência de parte das crianças brasileiras.

Palavras-chave

Infância – História – Comemoração.

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