Alberto, o menino que gostava de ler

 

12/03/2010  

Como incentivar crianças e jovens a ler livros e, mais do que isso, a ter prazer pela leitura? É claro que em uma época na qual os livros vêm sendo encarados cada vez mais com utilitarismo, fica difícil dizer às crianças e aos jovens: leiam por prazer, pelo gosto de imaginar e fantasiar, de viajar por outras idéias, mundos, possibilidades, leiam sem compromisso e largados em cima de um sofá (sem obrigação diante de testes e provas).
 
Sem sair à procura de uma resposta… vale a pena conhecer uma história acontecida há um século e meio, no interior de Minas Gerais. Nascido em 1873, o menino Alberto gostava muito de ler as histórias de ficção-científica do escritor francês Julio Verne, que seu pai, engenheiro, comprava. Entre eles Cinco semanas em um Balão, no qual Fergusson empreende, em 1862, uma aventura e expedição científica de balão pela África, partindo da ilha de Zanzibar, e fica maravilhado ao desbravar o novo continente enquanto procura soluções técnicas para dirigir o seu balão.
 
Em outro romance, Da Terra à Lua, de 1865, três exploradores viajam como verdadeiros “astronautas” em um “vagão-projétil” na direção da Lua. Em Vinte Mil Léguas Submarinas, Júlio Verne conta as peripécias do submarino Nautilus, comandado pelo capitão Nemo, rumo às fronteiras desconhecidas dos abismos do fundo do oceano e seus seres misteriosos. Para Verne, paz e guerra, assim como progresso e destruição, eram as duas faces das invenções e do drama pessoal das escolhas dos inventores, como no caso do capitão Nemo (drama que o menino Alberto viveria depois, como adulto…).
 
O menino Alberto passou boa parte da infância em uma fazenda de café em Minas Gerais e as histórias científicas e fabulosas de Verne encantaram a sua imaginação. Foi assim que ele primeiro concebeu aventuras de “locomoção aérea”. Para Alberto, o dia a dia no interior rural nada tinha de monótono: se interessava pelos assuntos da mecânica e gostava de entender como funcionavam as máquinas de beneficiamento do café e a locomotiva da fazenda da família.
 
Em 1888, aos 15 anos, em São Paulo, o jovem Alberto viu um balão em pleno vôo. Dali em diante não parou mais de estudar, imaginar e projetar máquinas voadoras. Até que, em 1906 – um ano depois da morte de Júlio Verne –, Alberto Santos-Dumont levantou vôo sobre Paris com o 14-Bis.
 
Ao rememorar os anos de infância, no livro Os meus balões, ele escreveu: “Meu autor favorito era Júlio Verne. A sadia imaginação deste grande escritor, atuando com magia sobre as imutáveis leis da matéria, me fascinou desde a infância. Nas suas concepções audaciosas eu via, sem nunca me embaraçar em qualquer dúvida, a mecânica e a ciência dos tempos do porvir”.
 
 
Roney Cytrynowicz é historiador e escritor, autor de “A duna do tesouro” (Companhia das Letrinhas), “Quando vovó perdeu a memória” (Edições SM) e “Guerra sem guerra. A mobilização e o cotidiano em São Paulo durante a Segunda Guerra Mundial” (Edusp). É diretor da Editora Narrativa Um – Projetos e Pesquisas de História (www.narrativaum.com.br) e editor de uma coleção de guias de passeios a pé em São Paulo, entre eles “Dez roteiros históricos a pé em São Paulo” e “Dez roteiros a pé com crianças pela história de São Paulo”. Escreve quinzenalmente no PublishNews, sempre às sextas-feiras.

 

Fonte: PublishNews

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