A INVENÇÃO DA ADOLESCÊNCIA NO DISCURSO PSICOPEDAGÓGICO


AUTOR(ES):
CÉSAR, MARIA RITA DE ASSIS

SINOPSE:
Este livro apresenta o tema da invenção da adolescência do ponto de vista da psicologia do desenvolvimento e da psicopedagogia. A autora argumenta que a figura da adolescência foi construída historicamente pela justaposição de discursos e instituições, de saberes e poderes, a fim de mostrar como foi conferido um determinado rosto a um momento da vida situado entre tempos diferenciados, entre a infância e a adultez.

ORELHAS:
A adolescência, como objeto do discurso científico, nasceu num contexto teórico e numa época histórica específicos, como resultado tardio tanto da consolidação da biologia e da medicina como saberes verdadeiros sobre a natureza (principalmente a natureza humana), quanto da implantação das políticas de higiene e da ampliação da educação secundária. Trata-se de um longo trajeto discursivo, desde os primeiros tratados do começo do século XX, prolongando-se até os anos 1970, quando teria ocorrido um decréscimo na produção dos textos de psicopedagogia da adolescência, em virtude das transformações históricas e discursivas do período, conduzindo a uma aproximação dos padrões de comportamento social e sexual entre adultos e adolescentes. Na modernidade, “esta” adolescência anuncia sua própria morte, a partir do instante em que a escola e a família enfrentam profunda agonia e desestabilização, na década de 1970, terminando na figura emblemática dos kids, nos anos 90190. Neste livro, a autora examina os manuais de psicologia da adolescência, importante foco de autoridade na fixação da imagem típica da adolescência. Por meio da desconstrução do objeto de investigação da psicopedagogia, aponta como tais discursos objetivaram a construção de um modelo ideal de sujeito e, principalmente, como os dispositivos pedagógicos trabalharam para a reprodução desse sujeito ideal, ao criar também seu duplo negativo. Partindo de alguns pressupostos teóricos da genealogia foucaultiana, focaliza o “nascimento” da adolescência, nos manuais de psicopedagogia do início do século XX, destacando em especial suas obsessões com a sexualidade adolescente. Detendo-se em outro aspecto privilegiado da constituição histórica do sujeito adolescente no discurso médico e psicopedagógico, a delinqüência, faz do filme Kids, de Larry Clark, o eixo da análise do “fim” da adolescência. Quarta capa A adolescência é o tempo da descoberta e da abertura de possibilidades; sua representação, contudo, nasce para sustentar os aparatos científicos e os discursos psicopedagógicos que a inventam, transformando-a no momento da doença e da incapacidade de aceitar o mundo “tal como ele é”. Nesse imaginário, remete a turbulência, caoticidade e descontrole, provocados por instintos exacerbados ou por “excesso de hormônios”, os quais é preciso refrear. Neste livro, com um olhar penetrante e agudo, a autora surpreende pelos deslocamentos, pelas surpresas e pelo percurso inovador na maneira de perceber os problemas que afetam a vida de tantos jovens, examinando não apenas a emergência, mas também a “morte” da adolescência na modernidade. Sobre a autora Maria Rita de Assis César é graduada em Ciências Biológicas (1988), mestre (1998) e doutora (2004) em Educação pela UNICAMP, com estágio de “doutorado-sanduíche” realizado na Universidade de Barcelona (Espanha). Realizou um estágio de pesquisa (1995-1997) na New School for Social Research em Nova York. Desde 2000, é professora no Setor de Educação na Universidade Federal do Paraná – UFPR e também atua como professora permanente no Programa de Pós-graduação (mestrado e doutorado) em Educação da mesma instituição. É editora do periódico Educar em Revista e tem publicados vários artigos em periódicos nacionais e estrangeiros e capítulos de livros sobre gênero, sexualidade e corpo, além de temas relacionados aos estudos pós-estruturalistas em educação.

SUMÁRIO:
Prefácio Introdução 1 A constituição da adolescência como um ‘problema’ 2 A mudança na ordem das coisas: a ciência inventa ‘a’ adolescência 3 ‘Adolescência’: território da psicopedagogia 4 O jovem masturbador e O clamor do sexo 5 Da adolescência em perigo à adolescência perigosa 6 Kids: fragmentos de uma morte anunciada Referências bibliográficas

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